Tous les articles par torres

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Fracos defensores de ti, pobre
Sem razão, que nasceste pra morrer.
São esquizofrénicos e estão tristes!
Dor a deles, coitados sem senso,
Quando, incapazes de se proteger,
Erguem a negação como nobre
Idéia da construção de um ser;
Pois sabem eles que não desistes
De existir toda a vida, indefenso…

Padecer, assim deixá-los viver.

Uma apologia como outra qualquer

Penso poder defender que sejam factos; nada ser eterno, nada ser absolutamente verdade ou ainda, nada ser perfeito.
Aceito que nada seja maior que tudo; se me esforçar considerávelmente é possível que acabe por admitir que nada seja impossível…
Enfim, restar-me-á procurar saber se será válido afirmar que nada possa ser mais aflitivo do que a ausência do pensar!

Kulefuka – Capítulo I

 

Kulefuka e a primeira chuva do ano de 1955

Colónia

Algumas árvores frondosas de tronco fino, tornavam-se – no tempo das chuvas – floridas, vaidosas como raínhas. Outras, pelo contrário despidas, muito altas e encorpadas, podiam viver eternamente em harmonia ou sómente até ao dia da sua profanação.
Era uma região que retribuía generosamente os mais simples gestos com as dádivas do gado, com o óleo de palma, a mandioca, o milho, o feijão. Oferecia frutos carnudos, sumarentos com sabor a mel.
A pesca, a caça e alguns rituais, constituiam os últimos prazeres úteis autorizados aos seus nativos, permitindo-lhes durar, ritmados pelo clima e pela ventura… Continue la lecture

Kulefuka – Capítulo (IX)

 

 

Kulefuka depois da chuva

Land Rover Série II

Geralmente no fim da semana, a minha mãe levava ao forno as carnes que tinha escolhido préviamente, temperado, demolhado, cozido em grandes panelas antes de as revestir com a massa levedada.
Cada fatia era um regalo, sobretudo aquelas saboreadas em família no domingo, por exemplo depois do jogo. A minha mãe até consentia que o meu pai me deixasse beber um golo da sua Cuca fresquinha…
Mas haviam algumas sextas-feiras de determinadas alturas do ano, em que uma parte da dita iguaria, mal acabada de arrefecer, era embrulhada num pano branco, e desaparecia sem que ninguém me dissesse porquê; sendo igualmente muito misterioso o facto do meu pai não poder ser encontrado no dia seguinte – não fosse pela mesma razão. Continue la lecture