Tous les articles par torres

Rir

(…)

Por outro lado, se começarmos todos a rir de tudo, e não houver quem se sinta ofendido, corremos o risco de entrar numa espécie de monotonia à qual se seguirá uma tremenda solidão….

Não! O melhor para todos é que haja sempre quem se sinta pelo menos descomposto; assim poderemos continuar a rir.

Cromos

Formatados pequenos e coloridos, em pacotes repartidos, numerados , vendidos e comprados, estimados – entre as folhas dum livro denso e erudito – ou dobrados para virar, virados, endireitados, ordenados e colados; santinhos, jogadores, flores duma mesma natureza em matéria degradável, cromos somos todos nós, uns raros outros para a troca.

Kulefuka – Capítulo III

Kulefuka e a primeira chuva do ano de 1955

A Inês

A nossa heroína, era talvez nessa altura uma menina de dezasseis anos com um viver próximo do de outras adolescentes: Jogava basket na equipa local com o seu irmão, costurava na Singer familiar a maior parte dos seus vestidos depois de cortar as partes, servindo-se como modelo das peças daqueles que já não podia usar. Montava com subtileza, tinha autorização e possuia a energia necessária para cavalgar através das anharas durante horas e manejava com precisão o rifle 8mm da família – se bem que a caça tivesse cedo vindo a tornar-se a especialidade da Ivette, a mais nova das suas quatro irmãs. Continue la lecture

Kulefuka – Capítulo II

Kulefuka e a primeira chuva do ano de 1955

A família

A Inês morava na terceira forma aonde o branco não podia deixar de se fazer sentir do exterior, embora ali a predominância viesse duma cor vermelha de tonalidade escura.
O tijolo feito da terra suportava um telhado espesso; O zinco fora utilizado apenas na garagem e nas trazeiras sobre a imensa cozinha semi-circular.
Uma varanda profunda, igualmente coberta de capim, confortava um muro direito, talvez o menos distante do mar.
Ficavam protegidos por esse mesmo muro e dispostos em dois compartimentos distintos – tendo o maior deles e mais central, uma ligação com cada um dos outros e com a varanda – as caixas com os livros, o gramofone e o rádio a válvulas de última geração, o relógio de pendulo, três cabeças embalsamadas, as armas, o chicote suspenso, a máquina de costura, uma mesa com quatorze lugares e a cama de casal .
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O vento

A distância nada tirou
Ao amor que o vento me trouxe
O pó as pedras a noite
O cansaço… nada o venceu

Qual sentimento ele fosse
Lhe permitindo se amoite
Na flor aonde cresceu
Tal a certeza tamanha
Lhe comandou todo o curso
Da pétala ao peito meu

Nota do autor 😉
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo e Presente do Subjuntivo, não necessáriamente capazes de exprimir o quer que seja…
Nem o qual… nem o tal… só estou certo do cansaço.