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Em cada fim de um dia, quando a lua e as nuvens me permitiam ter a esperança de sentir a sua presença, aproximava-me o quanto podia numa quase perfeita vertical. Depois, imobilizado, reproduzia o pensamento da fotografia acalorada pela claridade que passava pela janela da cozinha….

Começava por imaginar as fragâncias: Folha de laranjeira, hortência, por vezes pão quente. Outras vezes, a delícia dos aromas – abóbora pêra limão chill-out, canela e açucar – vinha roçar a gardénia do quintal. Apesar das aparências, raramente se sentia o folk; Um pouco de trompete… e piano, nesses dias.

Através da porta entreaberta, a sua sombra acabava sempre por chegar ao patamar e a cadela impaciente acompanhava os seus movimentos; Conseguia perceber quando ela lhe oferecia um regalo – debruçada, silenciosa, feliz – e sei que Ana retribuia o mesmíssimo olhar.

Quando já só a iluminação pública definia alguns contornos alongados, sem nehum interesse para mim, os meus olhos começavam, e logo acabam também por se fechar. E sonhava.

 

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