Pedir ao coração que se deixe levar desta vez
Sentir a luz e nenhuma voz, respirar sem timidez
Ouvir o fundo e entender essa lentura – com sensatez
Aceitar a força dessa brandura na sua nudez
Deixar o todo se deleitar em tão grande placidez
Poetaço
Consumir-se
Fracos defensores de ti, pobre
Sem razão, que nasceste pra morrer.
São esquizofrénicos e estão tristes!…
Dor a deles, coitados sem senso,
Quando, incapazes de se proteger,
Erguem a negação como nobre
Idéia da construção de um ser;
Pois sabem eles que não desistes
De existir toda a vida, indefenso…
Padecer, assim deixá-los viver.
Tu, para sempre
Não há fatos eternos,
Como não há sapatos
Nem roupa interior,
Ou vestido sequer –
De que tecido for.
Por mais branca seja,
Engraxados a rigor…
Não há fatos eternos,
Não há não senhor!