Dactylographier sans lumière sur des feuilles pleines
Arranjo cuidado de alguns termos transmontanos sem pronúncia, outros transpirados da Caotinha, outros ainda desenhados segundo costumes linguísticos duma região remota, alpina. Todos pretendem evocar doutrinas comunistas que nunca foram escritas, nem a sul, nem a leste; proclamar uma cidadania que nunca existirá para além da Landsgemeinde em vias de extinção, apesar do aumento da utilização inútil da mão no ar (polegar no face). Itálicos no português do Brasil, outro português com erros que, pela unica qualidade que possui – a sonoridade – merecia que lhe chamassem brasileiro. Chinezices e zês bicudos em vez de esses, esses mais suaves. Acentos, desnecessários para alguns, e consoantes mudas que não existiram nem mesmo antes do acordo. Parêntesis como forma não recomendável porque alatinada, pondo en evidência o que não devia ter sido ortografado. Três sentidos na mesma linha; pontos sem parágrafos. Enfim, inteligência sem ponctuação em sentimentos sem interlinhas; querer sem crer, gozando de toda a satisfação do acreditar; vontade impotente sempre inscrita, mas com letras pequenas, em baixo de cada página, à esquerda ou à direita, consoante par, ou não.

Assinatura eléctrónica, falta de rede.
Une apologie comme une autre
Penso poder defender que sejam factos; nada ser eterno, nada ser absolutamente verdade ou ainda, nada ser perfeito.
Aceito que nada seja maior que tudo; se me esforçar considerávelmente é possível que acabe por admitir que nada seja impossível……
Enfim, restar-me-á procurar saber se será válido afirmar que nada possa ser mais aflitivo do que a ausência do pensar!
Cinéphiles et amoureux aussi de musique
Salada pré-lavada, óleo de grainhas de uva, vinagre balsâmico, nenhum sal; foi o meu jantar minimalista a ouvir Steve Reich enquanto o seu, mais reconfortante, foi composto de Nouvelle Vague e uma sopa quentinha de noodles chineses com frango, alho francês, cenoura, cogumelos, coentros… Afinal ainda era inverno.
Mal voltou, logo depois do cigarro descaféinado, enrolámo-nos cada um numa ponta da imensa manta azul estrelada para vermos juntos aquele filme de Hong Kong realisado por Wong Kar-wai. Ela a partir de Youtube, legendado automaticamente e eu, de Putlocker… sem legendas.
– Nada pode contrariar dois seres « In Mood For Love »… pensarão os mais entusiastas.
– Excepto uma ligação wifi defeituosa – acrescento eu, derrotado.
O « buffering » veio dar sentido à ficção e tudo ficou em suspenso até 2046.

« Love is a matter of timing. You think it will work out. But it will often end up otherwise. (…) »
(Sans le diamant)
Prefiro o cacau e o açucar em doses perfeitas
Ao teu silêncio e tristeza sem medida.
Antes uma pedra dura, que o teu frio olhar.
Sim!
Oferece-me dois quilos de chocolate
E um diamante, se isso te puder ajudar.